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BRASÍLIA — O Senado iniciou nesta terça-feira os trabalhos da CPI da Covid, comissão que vai investigar as ações e possíveis omissões do governo federal durante a crise sanitária no Brasil. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) foi indicado para ser o relator da CPI da Covid pelo presidente eleito pela comissão, Omar Aziz (PSD-AM). A escolha representa a primeira derrota de parlamentares aliados do governo Bolsonaro — que manobraram para barrar o nome de Renan.

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Logo no início da sessão, os parlamentares foram informados que o Tribunal Regional Federal da 1ª região (TRF-1) suspendeu a liminar de primeira instância que impedia o senador Renan Calheiros (MDB-AL) de assumir a relatoria da CPI da Covid. A decisão foi uma resposta ao recurso apresentado pela Mesa do Senado Federal, que recorreu de uma liminar concedida em uma ação popular movida pela deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP), aliada do presidente Jair Bolsonaro, junto ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

Após a escolha de Renan como relator da CPI, Aziz indeferiu uma questão de ordem apresentada pelo senador Jorginho Mello (PL-SC), aliado do governo, que queria impedir a escolha do senador alagoano por considerá-lo suspeito. Aziz também criticou a decisão liminar em primeira instância que tinha a mesma intenção, mas acabou derrubada pelo TRF-1 momentos antes da votação. O argumento é de aliados do governo é que Renan é pai do governador de Alagoas, Renan Filho, que poderia vir a ser alvo das investigações. A CPI tem como um dos objetivos apurar repasses federais aos estados e municípios.

Em outra frente de ataque, senadores governistas tentaram suspender a instalação da CPI com a alegação de que os integrantes não podem participar de duas comissões ao mesmo tempo. Após duas horas de sessão, os senadores votaram para escolher os seus integrantes.

Com oito votos, o senador Omar Aziz (PSD-AM) foi eleito presidente da CPI da Covid nesta terça-feira. O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) teve três votos e saiu derrotado. Na vice-presidência, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) foi eleito com sete votos. Houve quatro abstenções.

Após ser empossado na presidência da CPI da Covid , Aziz disse que ninguém pode ser protegido no colegiado. Ele defendeu que é preciso descobrir “o que deixou de ser feito” na gestão da pandemia, “seja ele ministro, assessor ou quem for”.

— Vamos seguir daqui para frente com toda a dignidade que o povo brasileiro espera da gente – declarou o senador.

O parlamentar também defendeu ações equilibradas para ajudar no combate à pandemia e disse que não vai permitir que questões políticas interfiram nos trabalhos.

— Sei que o debate será proveitoso e que essa CPI levará uma esperança maior na aquisição de vacinas, kits e tecnologia para que possamos dar uma esperança para milhares de pessoas. Não dá para a gente discutir questões políticas em cima de quase 400 mil mortos — disse Aziz.

Ele afirmou, ainda, que é preciso ter isenção porque entre os mortos pelo novo coronavírus há pessoas de diferentes correntes políticas:

— Essa CPI não pode servir para se vingar de ninguém, ela tem que fazer justiça pelos órfãos que perderam o pai e a mãe e agora têm futuro incerto. Essa CPI não é de 11 senadores titulares e 7 suplentes, ela está no lar de todos os brasileiros.

Entre os convocados mais prováveis da CPI estão os ex-ministros da Saúde do governo Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello, e o ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wanjgarten.

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